quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ato de Concentração Econômica

A defesa da concorrência está pautada na proteção do mercado, ou seja, na busca da livre concorrência e da livre iniciativa, princípios estes constantes na ordem constitucional.
A livre iniciativa visa motivar e reconhecer o direito de todos de explorar atividades empresariais, dessa forma confere aos particulares e pessoas jurídicas autonomia patrimonial.
A lei somente reprimirá o abuso de poder econômico que causar a eliminação da concorrência, domínio de mercado e aumento arbitrário dos lucros.
Atualmente vigora a chamada Lei Antitruste brasileira (LAB) n. 8.884 de 11 de junho de 1994, que tem por escopo a defesa da livre concorrência por meio da prevenção e repressão às infrações à ordem econômica, pois o direito antitruste se preocupa em evitar a formação de grande conglomerados econômicos.
No Brasil a prevenção e repreensão às infrações econômicas são realizadas pelo CADE - Conselho Administrativo de Defesa Econômica - auxiliado pela secretaria de direito econômico (SDE) e a secretaria de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda (SEAE).
Com a abertura econômica após 1990 que expôs o nosso país à concorrência internacional e a atual economia globalizada é cada vez mais comum a prática de atos como fusões, incorporações e outros atos de concentração, isto porque os agentes econômicos tem a necessidade de se fortalecerem e se manterem no mercado que está cada vez mais competitivo.
Entretanto qualquer ato que possa afetar as estruturas e condições de competição de um determinado mercado está sujeito à apreciação e aprovação pelo CADE. Esse controle poderá ser prévio ou posterior à celebração da operação, dentro do prazo legal de 15 dias.
O ato de concentração ocorre quando dois agentes concorrentes ou não, ao se unirem, passam a deter vantagem econômica sobre os demais.
Os atos de concentração possuem efeitos negativos (diminuição ou eliminação da concorrência) e efeitos positivos (desenvolvimento regional ou nacional, avanço tecnológico, decréscimo da taxa de desemprego, conquista e/ou ampliação de mercados externos etc.).
O direito antitruste tem interesse em tutelar essas operações quando afetam as relações com terceiros ou à coletividade, ou seja, quando há dominação do mercado.
Como é sabido, a partir da Lei 8.884/94, foram criadas condições para melhor e maior garantia da concorrência no Brasil, com a finalidade de evitar-se a concentração de mercado e que grandes empresas e conglomerados abusassem de suas posições dominantes por meio de fusões com seus concorrentes.
Assim, para se avaliar uma concentração, deve-se verificar o impacto que tal ato produz no mercado, há a imprescindibilidade de se delimitar o mercado relevante.
A partir da delimitação de mercado relevante é possível verificar se a conduta causa ou pode causar a eliminação da concorrência, domínio de mercado e aumento arbitrário dos lucros.
O CADE necessita delimitar o mercado relevante tanto no julgamento de processo administrativo referente às infrações a ordem econômica como na análise dos atos de concentração.
Há presunção de controle quando a participação do empresário é maior que 20%, ou seja, se as operações que o agente econômico desenvolveu correspondem esse percentual ou um faturamento superior a 400 milhões, então a lei presume que há controle de mercado e consequentemente o domínio.

Fonte:  http://jus.com.br/artigos/17646/defesa-da-concorrencia-atos-de-concentracao#ixzz2rWNxQCnU

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Sorrir

Me faça rir. Apenas me faça rir. É isso. Eu quero dar gargalhadas toda vez que eu pensar em você. Quero sorrir como uma criança ao ver o palhaço mais engraçado do mundo quando eu olhar nossas fotos ou lembrar dos nossos momentos. Não me dê apenas flores, bombons, vestidos, bolsas, cartões ou qualquer coisa que possa envelhecer ou se rasgar. Me dê sorrisos. Somente isso. Me dê motivos para sorrir. Me faça cócegas. Me conte uma piada sem graça. Faça caretas divertidas. Me conte histórias das besteiras que você aprontava na escola. Me mostre fotos de quando você era criança vestido de roupas caipiras e bigodes falsos. Me faça sorrir. Apenas me faça rir.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Resumo “Toyota: A inspiração Japonesa e os caminhos do consentimento”



Objetivo do texto: O artigo pretende apontar a implantação do modelo toyotista no Brasil através da construção da segunda unidade de produção em Indaiatuba –SP.
Introdução:
- A empresa Toyota Motor Company está instalada no Brasil desde o final da década de 1950, em São Bernado do Campo –SP.
 - Até o final do século XX, a empresa Toyta consolidou sua posição como a primeira empresa automobilística do Japão, competindo para garantir a terceira posição no mercado internacional, se destacando por desenvolver um modelo específico de gestão denominado “toyotismo ”.
Contexto Nacional e Mundial:
- O contexto nacional analisado refere-se aos anos de 1950 em diante: O Brasil passa pela ditadura militar, urbanização e industrialização; movimentos sociais no campo e na cidade; Campanhas Diretas já e o retorno á democracia; fundação de partidos políticos, destacando-se o surgimento do Partido dos Trabalhadores-PT.
- O Brasil como base exploratória para as empresas transnacionais , aumentando a desigualdade social e o endividamento externo.
- Contexto Mundial: o capitalismo mundial já tinha passado por momentos complexos como a Guerra Fria, trinta anos dourados, o Welfare  State, maio de 68. Surgem Margaret Thatcher e Ronald Reagan, cujos governos vão canalizar a crítica ao conjunto de ideias e práticas legitimadas pelos movimentos sociais e pelas conquistas dos trabalhadores organizados.
- Início do neoliberalismo, globalização, reestruturação produtiva; o Brasil precisava incorporar novas tecnologias, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos seus produtos para ficar mais competitivo no mercado internacional. Para isso, o Brasil deveria atrair as multinacionais, principalmente as do setor automobilístico, resolver a questão do desemprego, bancar a abertura comercial.

O Toyotismo na Unidade Produtiva de Indaiatuba.
- A Unidade produtiva de Indaiatuba surgiu na segunda metade da década de 1990 e desenvolveu o sistema Toyota de produção, em um contexto diferente ao contexto japonês. Indaiatuba está localizada próxima ao município de Campinas, que até o final da década de 1990 já era um polo tecnológico que atraia várias empresas como a Honda e a própria Toyota; possuía uma considerável massa de trabalhadores qualificados entrando em contraste com o crescimento do desemprego e da precarização.
- A Toyota no Brasil apresenta algumas especificidades, procurando formar um novo tipo de trabalhador e buscando criar o sentimento de pertencimento á comunidade Toyota, através do desenvolvimento de atividades de lazer nos fins de semana. A Toyota contrata moradores da própria Indaiatuba sem registros de empregos anteriores. Os executivos da nova unidade pretendem fazer com que os operários e a comunidade se encantem com a fábrica, principalmente com o uso do discurso da democracia entre os operários, através da participação do trabalhador no processo produtivo.
- A Toyota do Brasil realiza contratos com pequenas e médias empresas para que estas produzam os componentes necessários á montagem dos seus projetos, sendo que por meio destes contratos, a Toyota poderia se interferir na contratada, reformulando seus programas de produção para que operem de forma similar a Toyota.
- Com a aplicação dos métodos toyotistas, a produção aumentou quase 100%; de 20 carros passou a produzir 38 anos por dia, com uma média de 13 minutos por carro, tendo assim que implantar um segundo turno de produção.
- Os mecanismos de envolvimento do trabalhador com a fábrica no Brasil era iguais aos do Japão? Como emprego vitalício, estabilidade, bônus produtividade? É preciso saber antes que no Japão esses “benefícios” não eram para todos os trabalhadores. No Brasil, a Toyota ofereceu apenas a flexibilidade.
- O Trabalhador da Toyota do Brasil era uma espécie de colaborador; ele passa a existir em prol daqueles que o empregam, deixando de lutar por algo que é seu;  não há estabilidade e nem lealdade, muito menos salário antiguidade. A Toyota no Brasil faz uso dos costumes e tradições de nacionalidade para intensificar a exploração criando um discurso com jeito civilizatório, mas estendendo os limites da mais-valia.
 O Toyotismo sob o ponto de vista dos trabalhadores (processo de trabalho)
- Para a seleção dos trabalhadores em Indaiatuba foi contratada uma agencia de empregos que recebia os currículos e os remetia para a empresa. O processo seletivo constava da aplicação de uma prova de português, matemática, conhecimentos gerais e psicotécnicos. Atualmente, a maioria das pessoas entra por indicação ou algo do tipo. Havia também um treinamento que com o tempo passou a ser chamado de integração, no qual era apresentado o sistema Toyota.  A Toyota era apresentada como um paraíso. Como parte da integração exibia-se o filme “Tempos Modernos” para mostrar que o trabalho repetitivo provoca lesões; esse discurso aparentava certa preocupação com o bem-estar do funcionário.
- Na Toyota de Indaiatuba o trabalhador deveria aderir ao trabalho com o corpo e a mente. As ginásticas laborais que eram feitas criavam certa resistência no trabalhador, mas era uma forma da empresa reafirmar sua autoridade sobre o funcionário e tinham como justificativa a tentativa da empresa em prevenir acidentes. Os trabalhadores faziam as ginasticas apenas por obrigação, sem prazer.
- A domesticação do corpo não era a única forma da empresa “prender” o trabalhador; havia também procedimentos para adesão mental, com princípios de cooperação e competição que aparentemente indicavam certo zelo da empresa com os trabalhadores.
 - Havia um momento interessante denominado “café participativo”, no qual os trabalhadores dispendiam 20 minutos do seu tempo para tomar um café – tentativa de valorizar a cultura brasileira e o hábito de tomar café-; porém, esse tempo era descontado através do aumento da jornada de trabalho diária do operário, além de produzir certo encantamento e envolvimento dos operários para com a fábrica.
- Takt: conceito elucidativo da Toyota que revela a importância que a empresa dá a questão do tempo e controle sobre o trabalhador. O Takt é um termo alemão que significa batuta usada por um regente de orquestra; assim como a batuta do maestro oscila, o Takt do mercado muda constantemente e o local de produção deve responder adequadamente. O Takt refere-se então, ao tempo necessário determinado pela empresa para fazer o produto em cada processo enquanto o tempo de ciclo corresponde ao tempo real que cada operador leva pra concluir a operação. O objetivo do Sistema Toyota é aproximar o tempo de ciclo do tempo de Takt. A metáfora do Takt é o resultado do esforço físico e intelectual do trabalhador para realizar a produção a cada fração de tempo; o ideal é que o Takt se reduza com o tempo e se iguale a 4,5, como no Japão. Isso significa que houve uma redução de tempo na produção de carros, indicando também que houve crescimento dos gestos repetitivos. Quanto menor for o Takt, menor será a quantidade de operações que cada operador executará.
- Kaizen: é uma filosofia de vida que se refere á melhoria continua e é uma estratégia para o sucesso competitivo. O Kaizen é também um “Investimento em pessoas”, porque promete melhoramento no status quo, como resultado dos esforços contínuos; essa definição propicia uma falsa apreensão do significado real do kaizen pelo trabalhador, pois ele faz sugestões com o objetivo de melhorar seu trabalho e a empresa as examina buscando elementos que resultem na diminuição dos custos. O kaizen é um conceito que envolve todos os conceitos-chave do toyotismo na forma como são apresentados no manual. O kaizen do processo exige disciplina, senso de equipe, gerenciamento do tempo, senso de sistema, participação no processo decisório em grupo, moral, comprometimento.
- Para que o trabalhador participe do kaizen é necessário que ele seja  generalista, pois terá uma formação mais ampla da organização e conseguirá entender o inter-relacionamento das partes da empresa.
- O kaizen serve também para indicar os trabalhadores desinteressados, localizar pessoal em excesso e sobrecarregar os operadores com novas tarefas, diminuindo o tempo, intensificando o trabalho e possibilitando pressões de toda ordem. Para os operários, o kaizen é um mecanismo de expulsão contínua dos trabalhadores e de concentração de tarefas, apontando a Toyota do Brasil como descompromissada com relacionamentos pessoais. As melhorias do kaizen podem também significar dispensa de trabalhadores mesmo em mercados de demanda crescente, pois pode haver aumento no ritmo de trabalho e na quantidade exigida de produção com o mesmo número de trabalhadores após o corte.
- Para “Ohno, a gerência deve ser “invisível”, assumindo uma “administração pelo olhar”; há uma técnica denominada andon que permite o controle exato sobre o desenvolvimento da produção e sobre o coletivo de trabalhadores a qualquer momento; são sinais luminosos ou não, cores, tarjas, sensores, entre outros sinais que permitem este controle por parte da gerência ao trabalhador. Essa supervisão permite controlar o trabalho e promover junto com o kanban  a operacionalização do conceito just-in -time.

Relações de Trabalho na Toyota do Brasil:

- A Toyota do Japão fez surgir novas denominações no quadro hierárquico da companhia, já que o crescimento dos chefes sem subordinados começou a influenciar o ambiente de trabalho. São eles o expert-EX, expert-superior- SX e o expert-em-chefe – CX. Aqui no Brasil, destaca-se o expert, que seria o líder de equipe, o elo entre a hierarquia e o chão de fábrica. O EX é quem veste a camisa da empresa e tenta fomentar a mentalidade necessária ao crescimento dos ritmos nos círculos de trabalho, depois de terminada a jornada diária.  O EX raramente assume o trabalho na linha, mas puxa o ritmo e empurra o trabalho fazendo todos trabalhar na cadência  exigida.
 - Para ser um EX, a gerência identifica um operador que tenha alguma liderança e o tiram da linha; em troca da promoção, a liderança é afastada dos companheiros, ganha um salário maior e se aproxima dos encarregados e dos supervisores, além de receber cursos de liderança motivacional. Aprende a não ter vínculos explícitos de solidariedade com os funcionários. O EX participa de muitas reuniões e quase sempre fica até ás 21 horas na empresa, não tendo assim condições de estudar. O EX participa nas promoções dos outros colegas, demissões e punições – pois relata a ocorrência de problemas exercendo vigilância contínua. O EX é visto pela maioria dos colegas como um traidor, pois é capaz de “dedurar” a empresa aqueles operários que são contrários as sugestões de “melhoria”.
- As relações de trabalho vigentes na Toyota do Brasil envolvem as técnicas do sistema Toyota expostas no Manual de Integração da Empresa.  De acordo com este manual, o líder deve fazer tudo que está ao seu alcance, dentro da política da empresa, para suprir as necessidades do seu time, dentro da ordem de prioridades. Para manter o time motivado, o líder deve suprir as necessidades de acordo com esta ordem:
1. Fisiológicas
2. Segurança
3. Aceitação Social
4. Amor-próprio
5. Auto realização
Essa escala é similar á pirâmide de Maslow. O líder deve deixar bem claro o que as pessoas devem fazer, transmitindo segurança em seus atos.
- As lideranças aprendem a arte da manipulação como se fosse um procedimento científico. A empresa captura a subjetividade, manipula-a por meio de técnicas e se apropria dos resultados produzidos. Faz-se com que esse procedimento se apresente como se fosse um cuidado com as necessidades básicas do trabalhador.
- Outro ponto enfatizado é o trabalho em grupo, que irá atender ás necessidades humanas. O trabalho em equipe é uma forma do homem de satisfazer suas necessidades inerentes ao ser social que é; o homem tem necessidade de trabalhar em grupo e precisa de uma liderança para organizar e fazer funcionar essa “necessidade”.
- De acordo com a autora, o homem só funciona para atingir suas “necessidades e conveniências” e se estiver sob o comando de alguém, de preferência abrigado em uma organização.
- De acordo com a autora, para que haja o kaizen é necessário que a modificação sugerida pelos trabalhadores traga retorno econômico para a empresa.

Os trabalhadores, a empresa e a política sindical:
- Se a participação dos trabalhadores é tão importante na proposição de melhorias contínuas no local de trabalho, por que a empresa não incluiu o sindicato? O envolvimento com o sindicato permite ao trabalhador discutir o seu dia-a-dia, possibilitando desvendar as manipulações da empresa. A participação no sindicato gera também certa repressão ao trabalhador por parte da Toyota, que poderá coibir ou até ameaçar com demissão esse envolvimento. Para evitar essa situação o trabalhado se vê obrigado a mentir, a se negar.
- O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região  - o analisado no texto - , atua na defesa dos interesses imediatos dos trabalhadores, que vão desde as condições e o ambiente de trabalho á alimentação, transporte, entre outros que são fundamentais. O sindicato tem a ideia de defender uma jornada que contemple o trabalho e a vida do trabalhador.
- O toyotismo pretende submeter o trabalhador de modo pleno, subordinando sua subjetividade ao processo de trabalho; a acumulação capitalista com todas as formas flexíveis de produção não se contenta com a exploração do trabalho físico, mas também com aspectos da subjetividade do trabalhador.
 - Na implantação da Toyota no Brasil, foi desenvolvida uma estratégia de ação na comunidade criando a imagem de “empresa dos sonhos” (Pelos depoimentos, a empresa deu carros para o hospital, PM, delegado e posto de saúde). Porém a diferenciação começava na contratação: eram contratados jovens de 20 á 22 anos em experiência e sem envolvimento sindical. Por terem saído recentemente do segundo grau possuem conhecimentos fragmentados, o que pode ser encaixado no perfil de generalista; possuem vigor e podem ser esgotados na linha de montagem além de conceberem a Toyota como a “empresa dos sonhos”.
- A empresa reprime ao máximo qualquer posição favorável ao sindicato. Entretanto, começam a surgir desencantamentos com o salário e as bonificações, incomodando os trabalhadores. Os operários começam a perceber que não são tratados de forma igual como o expresso nos discursos da fábrica, principalmente quando se leva em consideração o EX; os procedimentos da empresa em impor hora extra e provocar diferenciações, levaram o trabalhador a perder a confiança na empresa, estimulando um clima propício a greve.

Novembro de 1999: Primeira Greve na Toyota do Brasil
- Em outubro de 1999 foi realizada a primeira paralisação das atividades produtivas na Toyota do Brasil por um dia; em novembro de 1999 foi iniciada a primeira greve, na qual, 280 trabalhadores da linha de montagem pararam suas atividades, provocando um prejuízo de 280 mil reais. Entre as reivindicações propostas pelo sindicato nesta greve estavam o reajuste salarial, redução da jornada, participação nos lucros e resultados e manutenção e ampliação do vale transporte.  Embora os trabalhadores contribuíssem com suas sugestões de melhorias, nada era feito; o trabalho físico e intelectual deixavam todos esgotados. A resposta da empresa foi o de aumentar o ritmo do trabalho e as horas extras.
- Durante a greve, os trabalhadores se uniram ao sindicato para realização de festas em frente á fábrica; mecanismos de resistência foram criados pelos operários á vigilância da empresa, independente até mesmo do sindicato. Após o segundo dia de greve, a assembleia decidiu conceder uma trégua para a empresa, retornando ao trabalho. Para conseguir este retorno, os membros da hierarquia telefonaram para a casa dos operadores, de modo a pressioná-los a retornar ao trabalho. A repressão da empresa chega até a família.
- A greve não obteve o sucesso desejado, mas conseguiu a redução da jornada de trabalho em duas horas, passando para 42 horas semanais. A posição do sindicato foi fundamental para a condução da greve, mas evidenciou que os trabalhadores não assimilaram totalmente a proposta da Toyota de obediência e concordância.

 Conclusão:
-  O sindicato dos metalúrgicos de Campinas não se mobiliza apenas por questões econômicas, mas também por questões do cotidiano do trabalhador.
- De acordo com a autora, a Toyota quer o trabalho  vivo na dimensão material e intelectual, provocando certa alienação no trabalhador.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Resumo - A Formação Econômica do Brasil

Palavras-chave: Portugal, Colônia, Brasil, Exploração.

1.      INTRODUÇÃO



O Livro Formação Econômica do Brasil, escrito pelo economista Celso Furtado, aborda a formação produtiva do Brasil através de uma metodologia diferenciada, combinando aspectos históricos com análises econômicas. Dividido em 5 partes, que são os 5 ciclos econômicos mais importantes da história do Brasil, o livro é fruto das análises de Furtado sobre a economia Brasileira e sobre sua formação.  Este resumo tem  como objetivo,  sintetizar os aspectos mais importantes da parte I livro, “Fundamentos Econômicos da Ocupação Territorial”.

2.      RESUMO


O Livro inicia sua abordagem citando um grande acontecimento que marcou a Idade Moderna: a expansão comercial europeia através das grandes navegações, que trouxe como consequência a conquista de novas terras. A princípio, as terras americanas não despertaram muito interesse no povo português. A partir de 1530, a ocupação das novas terras passa a ser uma questão não somente econômica, mas também política; a descoberta de ouro nas terras conquistadas pela Espanha leva outros países a ambicionarem as terras americanas, como os povos franceses e ingleses, que não reconheciam o Tratado de Tordesilhas firmado entre Portugal e Espanha.
De acordo com o autor, para não perder as novas terras, Portugal foi forçada a, efetivamente, ocupar a colônia. O desejo de encontrar ouro no Brasil também pesou na decisão portuguesa de “investir” no Brasil. Entretanto, Portugal não dispunha de recursos suficientes para defender as novas terras em longo prazo, tendo que encontrar então, outra forma de utilização econômica, que não fosse a busca por metais preciosos. Decidiu-se dar início a exploração agrícola das terras americanas, através do plantio da cana-de-açúcar, ciclo econômico que marcou a história do Brasil e que fez parte da economia europeia.
Os portugueses já tinham iniciado a produção da cana-de-açúcar em larga escala nas Ilhas do Atlântico há alguns anos, desenvolvendo não somente as técnicas de cultivo, mas os equipamentos dos engenhos de açúcar em Portugal. Sem esta experiência anterior, segundo o autor, Portugal provavelmente não teria obtido êxito na produção agrícola no Brasil.
O negócio açucareiro português conta com a participação do capital holandês, que se constitui fator importante para a consolidação e expansão da empresa açucareira no Brasil. Os holandeses, segundo Furtado, eram os únicos a possuírem uma organização comercial para introduzir no mercado um produto relativamente novo, como era o açúcar. Além do apoio financeiro dos holandeses e a experiência portuguesa com o açúcar, era necessária uma grande massa de mão-de-obra barata para tornar viável a produção agrícola no Brasil. Como seria bem mais custoso transportar a mão-de-obra de Portugal, pensou-se então no sistema de escravidão de negros africanos.  Todos estes impasses foram resolvidos a tempo, fazendo com que a empresa agrícola obtivesse êxito, fortalecendo assim, o motivo da presença e do esforço dos portugueses nas terras americanas.
A Espanha, entretanto, continuava empenhada em extrair metais preciosos das terras que lhe cambiam por conta do Tratado de Tordesilhas; por conta da escassez de transporte entre as colônias, os gastos com o frete dos produtos era bastante elevado. Com o tempo, a Espanha entrou em uma situação econômica desfavorável, provocando um déficit na balança comercial. O declínio da Espanha atingiu também as suas colônias, visto que a única produção implantada nas terras americanas foi a mineração. De acordo com Furtado, a Espanha tinha grandes chances de obter sucesso nas novas terras se tivesse decidido pela economia baseada em produtos tropicais, como o próprio açúcar. Porém, a própria decadência da Espanha tornou esta possibilidade inviável, facilitando assim, o sucesso da colonização agrícola portuguesa, por falta de concorrência.
O sistema econômico baseado na exploração da cana-de-açúcar começou a mudar de quadro quando foi estabelecida a guerra da Holanda contra Portugal, a partir do momento em que ela foi unida á Espanha. De acordo com o autor, os holandeses controlavam praticamente todo o comércio que era realizado através das navegações dos países europeus no início do século XVII. Era quase impossível distribuir um produto como o açúcar pela Europa, sem o auxílio dos holandeses; estes, por sua vez, não iriam renunciar a parte que lhes cambia por auxiliar na expansão da empresa açucareira. Como os holandeses estiveram um bom tempo no Brasil, foram adquiridas por eles várias técnicas para implantar uma empresa agrícola concorrente no Caribe. Com o fim do monopólio, o preço do açúcar no mercado ficou relativamente baixo. A rentabilidade da empresa açucareira portuguesa estava se findando.
A formação das colônias americanas do hemisfério norte começa a representar uma verdadeira concorrência para o Brasil no que diz respeito ao mercado de produtos tropicais.  Esta colonização era baseada na pequena propriedade, que era entregue ao colono em troca de um pagamento feito com o fruto do trabalho do colono. A colonização na América do norte utilizava a mão-de-obra europeia; pessoas que, por possuírem condições precárias de vida, aceitavam trabalhar nas terras americanas por um determinado período em troca de trabalho e um pedaço de terra. Inicialmente, o desenvolvimento da América do Norte ocorreu de forma lenta, por causa da necessidade de encontrar artigos que pudessem ser produzidos em pequenas propriedades, fora o custo com transporte que era bastante elevado. Como era possível produzir nas colônias do norte alguns artigos como o café, algodão e principalmente o fumo, as perspectivas de mercado aumentaram, fazendo aumentar as riquezas provenientes do sucesso do negócio.
Com o crescimento do negócio do fumo, crescem as dificuldades relacionadas com a mão-de-obra europeia. Surge no mercado de produtos tropicais uma disputa entre a produção baseada em mão-de-obra escrava em larga escala e a produção com mão-de-obra europeia, baseada na pequena propriedade. A colonização antilhana começa a mudar de curso, visto que a ideia original era a colonização com base na pequena propriedade, fato que seria impossível caso a produção fosse açucareira. Com a expulsão definitiva dos holandeses no Nordeste Brasileiro, a economia antilhana mudou de rumo, visto que, os holandeses, preferiram colaborar com os colonos das terras da América do norte a ocupar novas terras. Em pouco tempo, tinha-se nas Antilhas uma economia açucareira com grandes proporções, aumentando a população de escravos africanos.
Ao retomar a Independência, Portugal procura aliar-se a uma grande potência que lhe permita viver como metrópole de uma colônia. Seus acordos com a Inglaterra vão mudar não somente a estrutura política e econômica de Portugal, mas também a do Brasil.
A segunda parte do livro aborda um pouco sobre a economia escravagista no mercado de produtos tropicais. Segundo Furtado, a escravidão desde o primeiro momento, foi para os colonos o melhor método para sustentar o trabalho colonial; para substituí-lo, seria necessário reorganizar os colonos em comunidades autossuficientes. Desde o início da colonização, as comunidades europeias já evidenciavam a importância da mão-de-obra nativa na instalação da empresa agrícola, através da captura de escravos indígenas. Os escravos africanos chegaram para expandir o negócio já instalado. A colônia açucareira se desenvolveu rapidamente depois da instalação da empresa, chegando a números extremamente favoráveis no final do século XVI. Porém, de acordo com o autor, a renda era bastante concentrada, chegando aos 90% do total dos lucros da produção do açúcar nas mãos dos donos de engenho e de plantações de cana.
De acordo com Furtado, na etapa inicial, o fundamental eram os equipamentos e a mão-de-obra. A inserção do negro africano veio apenas substituir outro com recrutamento mais incerto, o indígena.  Com a expansão da economia açucareira, geraram-se conflitos provocados pela entrada de animais em plantações, fazendo com que o próprio governo português proibisse a criação de gado no litoral, dando início ao surgimento de uma economia dependente na região nordestina.  As formas que assumem os dois sistemas da economia nordestina - o açucareiro e a pecuária, vão constituir elementos importantes na formação do que no séc. XX viria a ser a economia brasileira. 
A formação da população nordestina e a sua precária economia estão ligadas ao lento processo de decadência da grande empresa açucareira que foi o negócio colonial-agrícola mais rentável de todos os tempos.

3.      CONCLUSÃO

 Celso Furtado ao tentar explicar a história da formação econômica brasileira para os estrangeiros acabou explicando para os próprios brasileiros. Com uma linguagem simples e direta, Furtado consegue explicar  como se deu a formação econômica do Brasil no período colonial, mostrando as relações do Brasil com sua antiga metrópole, Portugal, e explicando também  um pouco da história das colonizações de outras áreas da América, como as regiões colonizadas pela Espanha.
Conhecer a história da produção no Brasil é importante para qualquer brasileiro, tendo em vista que todos devem conhecer as raízes dos problemas socioeconômicos assim como toda a história brasileira para uma melhor compreensão do presente.
































quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O que é a Taxa SELIC?

A Taxa Selic é também conhecida como taxa básica de juros da economia brasileira. É a menor taxa de juros da economia brasileira e serve de referência para a economia brasileira. Ela é usada nos empréstimos feitos entre os bancos e também nas aplicações feitas por estas instituições bancárias em títulos públicos federais.

A Selic é definida a cada 45 dias pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil).

Serve para definir o piso dos juros no país; é a partir da Selic que os bancos definem a remuneração de algumas aplicações financeiras feitas pelos clientes. A Selic também é usada como referência de juros para empréstimos e financiamentos. Vale ressaltar que a Taxa Selic não é a utilizada para empréstimos e financiamentos na ponta final (pessoas físicas e empresas). Os bancos tomam dinheiro emprestado pela Taxa Selic, porém ao emprestar para seus clientes a taxa de juros bancários é muito maior. Isto ocorre, pois os bancos embutem seu lucro, custos operacionais e riscos de não obter de volta o valor emprestado.


A Taxa Selic é um importante instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando está alta, ela favorece a queda da inflação, pois desestimula o consumo, já que os juros cobrados nos financiamentos, empréstimos e cartões de crédito ficam mais altos. Por outro lado, quando está baixa, ela favorece o consumo, pois tomar dinheiro emprestado ou fazer financiamentos fica mais barato, já que os juros cobrados nestas operações ficam menores.

Quando a Taxa Selic está muito alta, o valor do dólar tende a diminuir no país. Isso ocorre, pois muitos investidores externos fazem aplicações no Brasil atreladas aos juros. Entrando e circulando mais dólares na economia brasileira, esta moeda se desvaloriza, enquanto o real ganha força.

Como a alta da Selic encarece os financiamentos e aumenta os juros cobrados em cartões de crédito, fica mais caro comprar de forma parcelada. Logo, a Selic alta desestimula o consumo, reduzindo a venda de mercadorias e serviços. As empresas brasileiras e os consumidores acabam sendo prejudicados com este fator.

Quanto maior a taxa Selic, maior é o rendimento da poupança, pois esta taxa de juros é usada na definição deste tipo de aplicação financeira.

Um cenário econômico com a  Taxa Selic alta não é favorável para a Bolsa de Valores. Isso ocorre, pois com a queda no consumo, cai também a produção e o lucro das empresas que possuem ações na Bolsa. Neste cenário, muitos investidores preferem fazer aplicações financeiras em produtos atrelados a juros (fundos de renda fixa, por exemplo), deixando de investir em ações onde o risco é maior.

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